55 entrevista | Um dia com Camila Buciani
- 28 de jan.
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Projetar a própria casa é, para muitos arquitetos, o desafio mais complexo da profissão. Mais do que resolver um programa ou atender a um cliente, trata-se de um exercício de identidade, por meio do qual serão traduzidos valores, desejos e referências acumuladas ao longo de uma trajetória em um espaço que será vivido diariamente.
Para a arquiteta Camila Buciani, sócia do escritório RCB Arquitetura, essa experiência representou a realização de um sonho antigo: deixar o apartamento para trás e habitar uma casa com jardim, chão, presença de verde e áreas de convivência amplas. Ao se materializar, esse desejo transformou-se também em um manifesto sensível de sua forma de pensar a arquitetura, marcada pela integração dos espaços, pela valorização do encontro e por uma curadoria cuidadosa de materiais, móveis e texturas.
Nesse contexto, as peças da 55design assumem protagonismo na composição dos espaços, como extensões do projeto arquitetônico: a cadeira Glauber e a banqueta Sabiá, ambas com design de Adalfan Filho, e a dupla de mesa de jantar e banco Bello Outdoor, assinados por Ricardo Bello Dias, ajudam a construir uma atmosfera que valoriza o convívio, o uso cotidiano e a relação entre interior e exterior, reforçando a ideia de um morar fluido, acolhedor e contemporâneo.
Nesta entrevista, Camila compartilha os bastidores desse processo, revelando as escolhas que definiram o projeto, as referências que atravessam sua trajetória profissional e pessoal, e a forma como arquitetura e design se entrelaçam na criação de uma casa pensada para ser vivida com liberdade. Uma conversa sobre o morar como extensão da identidade e sobre o papel do design brasileiro na construção desses espaços.
O que você tinha em mente quando criou o projeto?
O projeto da nossa casa foi a realização de um grande sonho. Sempre quis morar em uma casa, ter um jardim, uma área verde. Desde o início, um dos pontos mais importantes era criar um espaço integrado, com cozinha aberta – apesar de eu ainda não cozinhar (rsrs), isso está nos planos. Queria um lugar acolhedor, onde fosse possível reunir a família e os amigos. Eu adoro receber, adoro casa cheia, então a área social totalmente integrada foi essencial desde o começo.

Como o projeto traduz a sua personalidade enquanto arquiteta?
A escolha dos materiais, do mobiliário e das texturas traduz muito da minha personalidade – e também da minha atuação como arquiteta. Esse projeto foi ainda mais especial porque tive total liberdade para criar e ousar da forma que gosto. O uso da madeira mais escura, que considero extremamente elegante e aconchegante, a mistura de mobiliário contemporâneo italiano com peças assinadas por designers brasileiros, referências do modernismo e cadeiras garimpadas em antiquários: tudo isso traz bossa e reflete muito da minha identidade no projeto.

Quanto tempo durou o processo, entre inspiração e execução?
Desde a compra da casa até a finalização do projeto, o processo levou cerca de três anos. Ao longo desse tempo, algumas mudanças aconteceram – tanto de layout quanto de conceito. Fui amadurecendo ideias, ajustando decisões, e o projeto acompanhou esse processo de transformação.
Houve algum moodboard, texturas ou cartela de cores como referência?
Eu amo trabalhar com texturas e sempre gosto de inserir uma pitada de cor para dar personalidade ao espaço. A ideia foi criar quase um “caixote de madeira” como base e, a partir disso, introduzir materiais como linho, couro, veludo, latão e pele de ovelha. As cores mostarda e chocolate entram para aquecer o ambiente e trazer ainda mais aconchego.

Quanto tempo durou o processo, entre inspiração e execução?
Desde a compra da casa até a finalização do projeto, o processo levou cerca de três anos. Ao longo desse tempo, algumas mudanças aconteceram – tanto de layout quanto de conceito. Fui amadurecendo ideias, ajustando decisões, e o projeto acompanhou esse processo de transformação.

Teve alguma inspiração em especial para o conceito? Alguma memória, lugar ou sentimento?
Minha maior fonte de inspiração é viajar. Quando estamos viajando, pensamos fora da caixa, ficamos mais abertos e atentos. Os hotéis onde me hospedo, os museus, as lojas de decoração, a cultura de outros países – tudo isso é inspiração para mim. Vou criando uma bagagem, uma memória visual e sensorial que acesso naturalmente quando estou desenvolvendo um projeto.

Como os móveis da 55 compõem o ambiente? O que eles trazem de único ao projeto?
Os móveis da 55design foram amor à primeira vista. As banquetas Sabiá, escolhidas para a bancada da cozinha, traduzem exatamente o que eu buscava: uma peça de design leve, limpo e, ao mesmo tempo, com personalidade. Já a composição da mesa e do banco Bello, com as cadeiras diretor no jardim, expressa uma vontade de pausa, de longos almoços ao ar livre. O detalhe ripado da mesa e do banco traz leveza e presença ao mesmo tempo. A cadeira diretor, por sua vez, é um modelo atemporal – algo que sempre tive vontade de ter.
Fotos: Banqueta Sabiá, cadeira Glauber e mesa Bello Outdoor na residência de Camila Buciani.







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